quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Se eu partir, que o Clã me siga


Sob o lema Servir!, o Ramo Pioneiro se tornou para mim, membro juvenil vindo das Tropas Escoteira e Sênior, a experiência mais interessante dentro do Movimento Escoteiro nestes quase 10 anos de atividades ininterruptas. Foi com meus companheiros de Clã, minha mestra, Cleide Pires de Jesus, e seus assistentes, Henrique Alves de Paula e Lauro Alessandri Couto Monteiro, que conheci a essência verdadeira desta face escoteira, o derradeiro momento do jovem no Movimento antes que este enverede pelos cargos de Chefia ou Direção.

      Foi aqui que consolidei minha chama escoteira, me tornei assistente, Chefe de Seção, Comunicador e Coordenador do Núcleo Regional de Jovens Líderes, secretário do Distrito e Diretor Secretário adjunto da Região. Toda essa história, no entanto, tem um começo e um processo, iniciado em fevereiro de 2006 quando, com 18 anos, fiz minha passagem para o Clã Pioneiro Caio Viana Martins. Na ocasião, não estava sozinho, como também nunca estive nestes 3 últimos anos. Me acompanharam nesta passagem quatro companheiros: Arthur, Frederico, Filipe e Alana. Ali nos juntamos à Tarcilla e ao Ramon. Mais tarde, cada um a seu tempo e por seus motivos, viriam Thainá, Murilo, Alexandre, Bruno, Isabelly e, mais recentemente, o Hugo.

      Minha primeira ação como pioneiro foi oferecer à chefe do Ramo Lobinho, Elenice, numa reunião de Diretoria, uma ajuda no Acampamento Distrital de Ramo que teriam e ela se encontrava sem auxiliares. Qual não foi o meu desafio quando, no final do mesmo ano, ela teve que se mudar às pressas para outra cidade deixando uma Seção sem comando. Eu, com toda a experiência adqurida como auxiliar em UM acampamento estava frente a um desafio: chefiar a única seção da qual eu não tinha a menos idéia de como funcionava.

      Vida de pioneiro é assim mesmo, movida por desafios. Não foi fácil conciliar essa dupla identidade: chefe e membro juvenil. Ninguém pode dizer que não tentamos: reuniões depois das 22h em plenas quartas, quintas-feiras, reuniões aos domingos de manhã, reuniões depois das atividades. Uma loucura!

      O que posso dizer é que, de tanto querer, acabei me tornando um pioneiro. Servi ao meu Grupo e hoje me orgulho dos resultados deste trabalho. A Insígnia não veio, infelizmente ficou espremida para uma período muito complicado da minha vida e que, é verdade, me faltaram pernas e fôlego. Mas o que é um distintivo quando se tem a certeza de ter feito o Melhor Possível ajudado por seus companheiros? Sinto isso ao me lembrar do reinício das atividades em 2007, quando o G.E. Arara Azul, já sem credibilidade junto à Região e ao Distrito, mal somava 20 membros ativos. Hoje estamos entre os maiores Grupos da região e admirado explicitamente em vários sentidos e por muitas pessoas.

      Não posso me esquecer também do Mutirão Nacional em Porto Alegre, em que nosso Clã foi simplesmente demais, o maior do Estado de Goiás, e emprestou um bocado de sua força e energia a instituições que hoje gozam de uma melhora em suas estruturas físicas, certamente não se esquecerão destes pioneiros.

      Nosso AcampoClã também ficou pra história. Divertidíssimo. Um raro momento de convivência neste Clã que adora as reuniões nas caladas da noite.
      Teve também aquele sopão meio desastrado, mas que tinha um  tempero especial: boa vontade e disposição de servir.

      E aquelas super produções dos estúdios Caio Viana, uma vencedora do Festival e a outra aclamada pelo público como melhor vídeo da noite. 

Nosso Jantar Medieval também ficou para a história. Arquitetado numa mesa de bar em Brasília, se concretizou em Goiânia/Anápolis um movimento que contou com a participação de muita gente e...deu certo. Mais que certo.
      
É, são muitas histórias que vivenciei aqui e espero que vocês também tenham o que contar à geração posterior. Ser pioneiro é querer ser, contra tudo e contra todos, é querer fazer a diferença, presenciar a transformação e, não contente com isso, ser parte dela. É pensar nos problemas do mundo e se sentir capaz de iniciar a mudança começando do seu lado.

     
      Saio agora do Clã carregando todas essas experiências comigo, e grato a todos que contribuíram para que elas acontecessem e fossem tão únicas. Quero ser um amigo do Clã, alguém disposto a colaborar com o que estiver ao meu alcance para que os pioneiros saiam daqui com o mesmo sentimento que eu saio agora: o de alguém muito mais maduro e preparado do que aquele menino que aqui entrou.
 
      Quem aprende a servir não se sente mais à vontade em ser apenas servido, sente a necessidade de ser útil, ativo e importante para o seu contexto.

      Saio do Clã, mas o Clã não sai da minha cabeça, e muito menos do meu coração. Afinal, aprendi a seguir o caminho que a forquilha aponta, e esta, desafiadoramente, aponta para o infinito, ou até onde chegarem os meus passos.
 
 Por que é assim? Não sei! Só sei que é assim:
Uma vez pioneiro, sempre pioneiro!

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