
Sofia,
corpo miúdo e aparência frágil não lhe negam a força de seus olhos.
É o mistério incompreensível daqueles que, recém saídos do ventre materno, revelam a incrível capacidade de trasmitir ESPERANÇA.
Apareceste em hora oportuna, pequena. É que os adultos que te embalam, de presenciarem guerras, crimes e misérias absurdas, carregam agora uma vista fatigada e descrente.
Você, Sofia, enxerga apenas o futuro, o além, o amanhã que em nós repousa inerte.
Teus olhos refletem a sabedoria que carregas no vocativo pelo qual te batizaram; e tuas mãos, ainda tão pequeninas, construirão grandezas; erguidas através destes dedinhos que, hoje, mal podem te sustentar.
Perguntará-me de certo, um dia, como sei destas coisas.
Ah, esse seu olhar...